Confira a distribuição dos deputados eleitos por região de Santa Catarina
Vale do Itajaí amplia bancada; Sul e Oeste perdem representantes na comparação com 2022.
17/09/2026
Em meio a discussões acaloradas, acusações mútuas e um clima
de forte tensão institucional, o Supremo Tribunal Federal (STF) vivenciou um
dos momentos mais delicados de sua história recente. A crise, alimentada por
desavenças pessoais, divergências sobre investigações e controvérsias em torno
de contratos de assessoria jurídica, culminou em um raro e marcante pedido de
desculpas feito por uma das integrantes mais antigas da Corte ao povo
brasileiro durante sessão plenária.
A magistrada expressou profundo incômodo com o rumo dos
debates e admitiu vergonha diante do tom adotado pelos colegas. Em sua fala,
ressaltou que o papel fundamental do Judiciário é garantir a estabilidade e a
segurança do país, e não gerar intranquilidade ou criar um
"espetáculo" para a opinião pública. A juíza lamentou não ter
conseguido intervir para acalmar os ânimos e pediu perdão aos cidadãos por não
ter entregue uma postura à altura das expectativas da sociedade.
O episódio reflete o ápice de um racha que vinha se
desenhando nos bastidores. O foco principal dos trabalhos acabou desviado por
trocas de farpas, questionamentos sobre procedimentos internos e suspeitas
envolvendo a atuação de escritórios de advocacia ligados a familiares de
magistrados em grandes disputas financeiras. A exposição pública desses atritos
gerou críticas severas de especialistas, que apontam o desgaste da imagem do
Tribunal e a perda de seu papel de arbitragem técnica.
A reação aos bate-bocas já repercute fora do Judiciário. No
Congresso Nacional, parlamentares ganham força para avançar com propostas que
buscam impor limites às decisões individuais dos juízes e criar mandatos com
prazo fixado para futuros integrantes da Corte.
O Congresso Nacional
pretende acabar com os mandatos vitalícios no STF
As principais mudanças em discussão no Congresso agrupam-se
em cinco frentes centrais:
1. Limitação de Decisões Monocráticas (Individuais)
Fim das decisões liminares isoladas: Propostas como a PEC
8/2021 proíbem que um único ministro suspenda a eficácia de leis aprovadas pelo
Congresso ou atos dos presidentes da República, da Câmara ou do Senado por meio
de decisão liminar individual. Apenas o plenário do STF (ou o colegiado) teria
poder para sustar atos constitucionais.
Prazos para pedidos de vista: Limitação do tempo que um
ministro pode reter um processo antes de devolvê-lo ao plenário.
2. Criação de Mandatos Fixos para Ministros
Fim do cargo vitalício até os 75 anos: Estão em pauta
propostas (como a PEC 16/2019 e propostas recentes de parlamentares) que
estabelecem mandatos por tempo determinado para futuros integrantes da Corte —
variando entre 8 e 10 anos, sem direito a recondução imediata.
Observação: As mudanças valeriam apenas para novas
indicações, sem afetar retroativamente os atuais ministros.
3. Alteração da Forma de Escolha das Vagas
Descentralização das indicações: Atualmente, o Presidente da
República possui exclusividade na indicação. Há projetos que propõem alterar o
modelo, distribuindo as indicações de novas vagas entre o Poder Executivo, a
Câmara dos Deputados, o Senado e órgãos de classe (como a OAB ou a
magistratura).
4. Poder de Veto do Congresso sobre Decisões Judiciais (Mecanismo de "Sustação")
Derrubada de julgamentos pelo Legislativo: Propostas mais
radicais (como a PEC 50/2023 ou a EC 28/2024) tentam autorizar o Congresso a
derrubar decisões do STF por maioria qualificada caso os parlamentares entendam
que o Tribunal extrapoliu suas competências constitucionais ou invadiu a
prerrogativa de legislar.
5. Ampliação de Crimes de Responsabilidade e Regras Éticas
Facilitação do Impeachment e Conflito de Interesses:
Projetos que pretendem tipificar com mais clareza novos crimes de
responsabilidade para magistrados (incluindo o desrespeito a prazos
regimentais, manifestações públicas indevidas sobre processos e atuações sob
conflito de interesse de parentes).
Prazo fixo no Senado para análise de Impeachment: Definição
de prazo obrigatório para que a Mesa Diretora do Senado delibere sobre
denúncias formuladas contra ministros do Supremo.
Qual o cenário real de aprovação?
Propostas voltadas à restrição de decisões monocráticas e
fixação de mandatos para os futuros ministros são as que possuem maior apelo
técnico e suporte transversal entre diferentes partidos. Já textos que tentam
dar ao Congresso o poder de cancelar julgamentos do STF enfrentam graves
ressalvas jurídicas por violar a cláusula pétrea de Separação dos Poderes (Art.
2º da Constituição) e tenderiam a ser anuladas pela própria Corte se fossem
aprovadas.
Diante do cenário de forte desgaste, o Supremo enfrenta
agora o desafio de recuperar sua autoridade moral e a confiança da população,
em um momento em que a imagem da maior instância da justiça brasileira sai
profundamente arranhada.